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Hans Urs von Balthasar

Cristianismo Estudos — Hans Urs von Balthasar (1905-1988)


Um dos maiores teólogos do século XX, além de reflexões próprias nos legou estudos consagrados sobre Orígenes e Máximo o Confessor.

BALTHASAR, Hans Urs von. Explorations in theology: 1, The word made flesh. San Francisco, CA: Ignatius Press, 1989.
  • A Escritura é a palavra de Deus que dá testemunho da Palavra de Deus, e o único Verbo manifesta-se como que dividido em palavra que testemunha e Palavra à qual é dado testemunho.
  • O Verbo testemunhado é Jesus Cristo, o Verbo eterno do Pai, que assumiu a carne para testemunhar, representar e ser, em sua humanidade, a verdade e a vida de Deus.
  • Toda a revelação da salvação converge para esta manifestação central do Verbo, orientando-se tanto para frente, na missão dos apóstolos e na história da Igreja até o fim dos tempos, quanto para trás, na revelação do Antigo Testamento, até a criação, pois "Deus sustenta todas as coisas pela palavra de seu poder" (Hb 1,3) e "nele foram criadas todas as coisas" (Cl 1,16-17).
  • O Verbo é o princípio de todas as coisas, consistindo nelas, não apenas como Logos divino, mas também como "o primeiro e o último" (Ap 1,18).
  • A palavra testemunhante é a Escritura, do Gênesis ao Apocalipse, que acompanha a revelação progressiva do Verbo na carne e a reflete como num espelho.
  • A palavra de revelação é o Verbo em ação, enquanto a palavra da Escritura é o Verbo contemplando sua própria ação e registrando-a, algo que só pode ser realizado de modo perfeito pelo próprio Verbo.
  • A palavra de revelação é principalmente o Filho que fala do Pai no Espírito Santo.
  • A palavra da Escritura é principalmente obra do Espírito Santo, que ilumina e encarna a autocomunicação do Filho em formas permanentes e atemporais.
  • Embora pareçam paralelas, as duas formas da Palavra são na verdade o único Verbo de Deus testemunhando-se a si mesmo em uma única revelação.
  • Em alguns textos a distinção aparece clara: o Senhor fala, age e sofre sem referência ao escrito, que foi redigido mais tarde sob a inspiração do Espírito.
  • A mesma dinâmica se aplica aos Atos, aos livros históricos e aos escritos sapienciais, onde a revelação e sua redação se fundem num só ato de comunicação.
  • As epístolas interpretam o evangelho para a Igreja, assim como os sapienciais interpretam a história e a lei para Israel.
  • A relação entre a Palavra testemunhada e a testemunhante é fluida, variando do contraste à identidade, de modo que a Escritura participa da autorrevelação de Deus em Cristo pelo Espírito.
  • O centro da Palavra de Deus é Cristo, encarnação do Verbo eterno, que cumpre a vontade do Pai na obediência e na redenção.
  • Sua vida é cumprimento da Escritura, assimilando-a e tornando-a concreta em sua carne.
  • O Verbo torna-se mais carne à medida que concretiza a lei e a profecia, e a carne torna-se mais Verbo à medida que unifica em si todas as palavras precedentes.
  • Ele é o comentário vivo, a exegese autêntica de toda a revelação anterior, tanto em sua origem vertical (do Pai) quanto em sua origem horizontal (histórica e escriturística).
  • Sendo Cristo o cumprimento definitivo e progressivo, abre-se a possibilidade de haver Escritura posterior a Ele, de caráter distinto.
  • A lei e os profetas eram o prenúncio formal do Verbo feito carne, Palavra insubstituível como revelação.
  • O Antigo Testamento definia o lugar e a forma em que Deus se tornaria acessível, chegando até a prenunciar a eucaristia.
  • Cristo, cumprindo as Escrituras em si, abre um novo início: o cumprimento não é término, mas promessa renovada.
  • O Senhor permanece na carne o Verbo e não se separa do que foi dito antes dele, nem do que disse, nem do que foi dito a seu respeito.
  • O evangelho é doutrina viva que se fez Escritura, mas também uma nova "Escritura encarnada", participação em sua própria natureza corporal e, portanto, em sua inspiração.
  • Assim como a palavra falada por Ele é inspirada, também o é a palavra escrita, cuja inspiração é permanente e vital.
  • Essa inspiração permite que a Escritura seja prova da superabundância de vida e poder do Verbo.
  • O Filho encarnado reúne em si toda a Escritura para fazê-la plenamente o que é: Palavra de Deus Pai no Filho.
  • Mas também a envia de si, tornando-a plenamente o que é: Palavra do Espírito, enviado por Ele ao retornar ao Pai.
  • Assim, a Escritura não é uma palavra testemunhante separada do testemunhado, mas o único Verbo de Deus na unidade de sua encarnação.

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